quinta-feira, novembro 24, 2005

nostalgia e wilco

sabe, hoje de manhã recolhendo os jornais espalhado pela casa e pelo escritório, ouvindo wilco na vitrola (um som que remete as raízes, folclórico, romântico e tranqüilizante), quando me lembrei do meu velho caminhão de madeira, daqueles que hoje se vendem em posto beira de estrada, bem fuleiros, mas muito cultuado em minha infância, era o brinquedo de carga que todos imaginaram ter. ainda mais crescendo numa rua humilde, isso era 89, eu com cinco anos, a única familia que assinava jornal do quarteirão era a minha, os amigos de infância variavam-se entre um ano de diferença ou nenhuma (como na maioria dos casos), auge das nossas malandragens de "garotos de vila", decidimos que era hora de ter uma bola de "capotão" nova, porque o pessoal da rua de cima estava com uma e isso não podia ficar barato.
brilhante idéia as nossas, mas e dinheiro?
e toca cada um com as suas "manhas". depois nos reunimos novamente e partimos pro bazar.
sem nenhuma noção de preço, nos deparamos com um déficit de uns 60% do valor total. e saimos de lá desapontados, tinhamos que fazer alguma coisa, eis que passando em frente ao açougue, o auxiliar de açougueiro enrolava a carne envolta de saco plástico em um papel de jornal. nossa, eureka!
numa reunião coletiva para saber qual de nós seria o mais corajoso de ir perguntar quanto ele pagaria no quilo de jornal. díficil, muito díficil.
mas toda trupe sempre tinha o sem vergonha, e eis que um surge e nos volta com a resposta, confesso que o sorriso do dono do açougue perante nós, que lá em frente estávamos, me pareceu un tanto quanto negativa, mas o "malandrinho" ao chegar com a resposta nos levou ao êxtase.
e lá vai os meninos, a carregarem o caminhão de jornal e subir quarteirão acima para o açougue.
bola nova no "campo lagoinha", e veio a trave e muitas outras coisas, coisas bacanas que nunca havia me tocado o quanto foram boas para me tornar o que sou hoje.

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