terça-feira, dezembro 19, 2006

o cheiro baunilha na cor caramelo

eu já não sei até que ponto os traços negros que delineam seus olhos me enfeitiçam a ponto de eu parar ou fugir para não acertar. sabes que tem ar de mistério, mas o teu conteúdo não é a mim muito relevante; sendo que tens vinte anos, considere te ordinária - no sentido dostoiévski da palavra. essas longas madeixas, esses olhos cor-de-mel, o sorriso fechado mas com a gargalhanda que escarna grandes dentes e ressoa uma sonoridade tão intensa que me sinto fisgado e paraliso;

- você, olha para o lado, no trajeto do olhar me fita, um instante; e de maneira imperativa me consome.

considero-me dentro do jogo.

segunda-feira, novembro 13, 2006

só pra ti

aqui nesse lugar mora,
saudades de senhora
em que todas as luas,
são tuas;
minh'alma apaixora

coração que estala,
mas que nada

então eis desse dia
um pouco de embriaguez,
no misto da poesia

só pra ti morena

só pra ti

sexta-feira, novembro 03, 2006

estórias curtas #1

ando pensando em cortar meu cabelo. há pelo menos um ano e meio que eu mesmo os corto.
não confio em barbeiros e cabeleireiros - é claro, os mais baratos e alguns caros são dessa estirpe - são burros! não comprendem os despenteado, acabam, na maioria das vezes, cortando muito curto e ainda de desculpam, lança argumentos do tipo:
- é que seu cabelo cresce rápido, se cortasse menos, seu cabelo iria ficar comprido rápido demais...
bela desculpa para um corte ridículo.

quinta-feira, outubro 19, 2006

diálogo...

eram dois putos caminhando rua a baixo, com certeza a soma das arrogâncias causariam pancadaria no boteco.
- você me entende não é, a deficiência financeira não nos impede o improviso...
- claro que não, improvisar como?
- oras, não preciso levar uma mulher pro restaurante e pagar uma de cortejador, basta preparar-lhe aquele jantar ao som de nick cave que isso ficará eternizado.
- tem razão...

sexta-feira, outubro 06, 2006

no auge de tantos posts, te digo, a caixa de rascunhos supera os publicados...
e de novo, de retórica, não sei porquê ainda escrevo isto - a busca de pena é eminente.
aquele mendigo ali me alivia, na glória dos meus porres, eu nunca conseguirei superá-lo.
daqui a pouco um churrasco com a turma de comunicação, ah Deus, dai me saco!
sacudo-me aqui, remexo-lhe ali e fica-se tudo certo.


a hora é pela comida, penne ao molho bechamel e presunto.


bon apetit!

terça-feira, outubro 03, 2006



medio litro para o cumprimento

imaginam-se todos jogados, dispostos de maneira ingrata sobre o chão. até sente-se o cheiro de vômito pela sala.
- para quê o olhar espreita?
já não há mais angústias, nem dor e o sufoco de tudo já se posta.
- que merda! e quantas vezes tenho que ouvir essas vozes?

te digo, já não sei das vezes que adentrei naquele bar, qual me deu a sensação de alívio.
prometera sempre regresar por fidelidade ao dono e quem sabe isso, ironicamente, não me garantira dozes de brinde ou cavalares noites de bonansa.

trés mauvais

terça-feira, setembro 26, 2006

deixa o sentimento de culpa...

certos momentos da vida me revelam o quão besta eu sou em seguir cabo a um punhado de entusiasmo.
- grandes poderes geram grandes responsabilidades - pensa peter parker.
já eu não nasci para isso. sou do rock'n'roll backstage e uma mesa no canto do bar, preciso somente da oratória (sempre sermão e nunca discurso!).
sermão a eu mesmo, aquele que fica a margem da própria responsabilidade e efémero as outras idéias.
quem sabe se aquele velho - que esbanja o que tem na máquina de caça níquel - não esteja certo?
a dica do dono do bar poderá lhe render quantia exorbitante em prêmio, basta consumir algumas porcarias como agradecimento e ficam todos felizes...
BALELA!
o interesse é na perda para o acumulo de prêmio na máquina. a rotina é do jogo de azar. que lula o quê, alckmin tem menos pulso firme!
será que todos aqueles a quem falei que estava terminando realmente acreditaram?
é claro, acredito que tudo seja mentira mas, e êles?
BALELA, de novo!
meia dose de cachaça é o que me resta...
glup; HASH!
até mais, a coragem já me está garantida

sábado, setembro 23, 2006

acabou chorare, novos e baianos

sem dúvida alguma, os representantes da trupe beatnik no brasil na década de 70 foram eles.
não só no contexto musical, mas na representação do nonsense como bandeira preferida. aliás, declarar que os sons são como dribes de garrincha não são para qualquer um.
assim como burroughs junto a tom waits realizaram uma opera beat, esses transcenderam a imaginação in-ditadura em seus aureos tempos, dividiram canções, cantores, banda e legião.
novos baianos foi a síntese de uma tropicália banida de seu próprio país.
um viva a paulo boca de cantor, babe consuêlo, moraes moreira e a cor do som.

de "preta pretinha" a "só somente só", fica isso:

preta, preta, pretinha
enquanto eu corria, assim eu ia
lhe chamar enquanto corria a barca
por minha cabeça não passava só,
só, somente só
assim vou lhe chamar, assim você vai ser
abra porta e a janela e vem ver o sol nascer
eu sou um pássaro que vivo avoando
vivo avoando sem nunca mais parar
ai, ai saudade não venha me matar

quarta-feira, setembro 13, 2006

segunda-feira, setembro 11, 2006

após "só para entendidos" de caetano

a questão é A+.
já não agüento mais tanta imbecilidade acadêmica, a falta de espírito pela descoberta, que besteira.
estou ouvindo tanto os discos da década de 70 do caetano - tão lisérgico quanto os do beatles da mesma época.
alusões de bossa e tango, orquestrações perfeitas do rogério duprat.
no misto de tudo isso descubro umas vertentes de música eletrônica, acompanhando a tendência - é claro, show bussiness brasileiro.
me apresento a thievery corporation, dj shadow e arto lindsay.
surgidos na década de 90, a era da guerra pura, considero - baseando nos meus estudos recentes a cerca de e a cerca deles - o estopim da manifestação a favor da arte nonsense (esqueça jack ass), da essência da subversão musical, o neo-dadaísmo coletivo, (sem ego) a declaração do fim da direção, a perda da busca pelo isto é alguma coisa por ISTO E ALGUMA COISA.

psicogeografado, imagina: - aquele lugar do lado da casa da sua vó não renderia uma ótima festa?
vamos lá, combine com um amigo de um amigo seu em determinado lugar desconhecido. aproveite e convide uma pessoa a te encontrar no mesmo local e horário. observe bem se as duas pessoas tem co-relações (o mesmo circulo de amigos, mas sem se conhecerem, o orkut pode te ajudar com a sua ferramenta rede de amigos), esconda-se e observe.

depois me conta como foi...

quarta-feira, setembro 06, 2006

haschisch

A dita geração "alt-tab", múltiplas instâncias em consequência da inesgotável oferta de informação. e onde tudo isso - ou por acaso - irá parar?
O acúmulo me esgota, preferia estar descansando naquela gostosa cheirosa, e para a porra esse papo besta de 'aonde vou'.
Ou arregaça-te o cérebro, eu fundo como solução o sexo - por enquanto única fonte de prazer inesgotável.

- Não é?
Ressalta a ninfa ao lado.


Trés Mauvais, lírio-poético

terça-feira, setembro 05, 2006

samba do celular que segrega

olá, olá!

ela não me ouve
está ocupada
com seu celular

olá, olá?
ela não me ouve
está ocupada
com seu celular

olá, olá
larga esse celular
e dê me crédito
para agora te amar

terça-feira, agosto 29, 2006

obrigado, valei-me por citar eu mesmo...

"a vida deve ser tocada a banho e maria [acumulo tanta informação por segundo que esqueço quem sou e para onde quero ir] por isso: - esquentai pensamento, esfriai sentimento!"
Trés Mauvais

quinta-feira, agosto 24, 2006

intrigante, não sr. roberto?

o que diferencia no final?
vou me direcionar ao campo da manifestação e a linguagem deturpada que eles usam; ou será eu quem complica tanto esses trâmites?
essa coisa banal de "situação" e "oposição", conotações que de tão banalizadas se tornaram formais por acomodoção, e nesse processo todo se alienaram na mera "reprodução".
seria como viver ao lado de uma moça, qual eu a vida inteira admirei pelos "nobres" gestos e pensamentos [quase uma extensão dos meus, te juro], que todas as retóricas a minha divagação, difamação são um "né" ou "não é". a paixão cessa desastrosamente, a única coisa que me resta é fodê-la indecentemente e tratá-la como uma de minhas personagens nos inúmeros contos eróticos que rondam as minhas idéias.
oras, que saco de pensamento cristão, essa coisa quadrada: - dó ré mi fá sol, do início quando passa pelo meio e chegando ao fim; todas essas síntaxes harmoniosas contra à assimetria e ao caos. sr. roberto de tanto pensar na morte acabou se curvando à medicina, levando-o a trabalhar no IML porque era o único emprego onde se encaixará em três decisivos anos de indecisão após a conclusão da residência.

para mim basta, anseio que viver nada mais é que acordar de manhã e dormir a noite. as vezes mudo, para sair um pouco da rotina e depois tudo volta ao início do parágrafo, com linguagem em novas vestes e conteúdo em novos elementos.

pode crer; não é, enfim.

quarta-feira, agosto 23, 2006

um pouco de samba lero-lero

quando olhou em meus olhos
apaixonei-me por você
agora te considero a única
que possuo sem ao menos ter

se vejo em você
o que sobrou do ontem
sem mesmo te conhecer
afirmo seu olhar inebriante

e ao perceber
que meu amor é incessante
correndo aos seus braços
roubo-te um nonsense beijo


a completar...

tão nonsense beijo...

terça-feira, agosto 15, 2006

cachaçadelia...

Isso, em que me encontro, é o auge da malandragem e com toda a minha tolice confesso: - já não sei porquê escrevo, se não sinto a mesma premissa de outrora; mas, só palavras?
De fato elas, as palavras, são belas como o pôr do sol ao lado de Malena [quão belos aqueles dias, não meu bem?]. E enfim, continuam sendo palavras, mas não só [as palavras].
O que busco necessita da minha observação para a compreensão alheia, de tão complexo tinjo as metas de branco! [esse branco que todas as minhas percepções exprime]
Me dediquei as imagens, me atirei em palavras. Agora quero o amálgama dos dois. O meu convite é um brinde de cachaça com Balzac.
Mergulhar na linguagem subversiva com lírios poético-visuais, tentar submergir esse mundo que berra e só clama por um neo-sambarilove colorido.

Três Mauvais

terça-feira, agosto 08, 2006

que vergonha.

já nem sei porquê isso aqui existe...

sábado, junho 24, 2006

eu consigo ser divertido

"eu não consigo ser alegre o tempo inteiro"
wander wildner

"tristeza não tem fim, felicidade sim"
tom zé


hoje é dia de balada, tem textos pra postar semana que vem...

quinta-feira, junho 15, 2006

e então ele soube o que era DEUS...

a vida era, para jão néias, um tremendo marasmo, criado aos rabos de saia de sua super (bem amalucada) protetora mãe, nunca precisou exitar na vida. era ela que lhe cortava o bife e quem esfriava sua comida (isso até o fim de sua vida). ausente da figura paterna, sua mãe dedicou lhe a vida e uma vida diferente.
a imagem que sua mãe passara sobre as mulheres era realmente torpe e desqualificada, não honrada a qualquer homem sob esse mundo (até mesmo os mais cabaços). nada restava ao pobre coitado senão doses cavalares de "bronha" sob as páginas da revista "contigo", da qual sua mãe era leitora fervorosa.
imagina-se que um ser humano criado desta maneira seja um verdeiro sociopata, a beira de um ataque qualquer, quem sabe na primeira pisada que dê em sua pouca reconhecida (por ele) calçada, e conseqüentemente a rua e o mundo.
é meus caros, jão néias só conhecia bem (digo como a palma da sua mão), as pernas de sua mãe, as pernas da "contigo" e a programação dos canais de tevê infantil.
a não ser pelos discos de cauby, o qual sua mãe escutava freneticamente, e delirava. enquanto a porta de seu quarto entre aberta ressonava mugidos lácteos de: "ó deus, deus, isso! meu deus, óh! DEUS! ISSO! DEEEEUUS!" - jão néias tentava compreender o quão bom o cauby é para sua mãe, a ponto de uma nota vocal conseguir elevar sua mãe a vozes sagradas, como ela frenética e lácteamente arfava.

terça-feira, maio 23, 2006

vejo o mundo sob bobagens alheias

os olhos acreditam em si próprios;
os ouvidos acreditam em outros.
09 20 54 05 46 23 (extraído de um papel de biscoito da sorte)

sábado, maio 20, 2006

zé alexandre, aprenda a escrever


precisa começar a anotar as idéias
precisa escrever os projetos
coloca no papel homi!

dostoiévski

acordei estarrecido, cedo como habitual. fiquei preso no meu canto, pensando em todos os problemas que se passa - so, it's my life - como uma canção bon jovi que não sai da cabeça.
vinte cents é o que tenho no bolso, dois cigarros é o que tenho no maço, quarenta cents é o que vejo na poupança e na conta bancária?
é melhor nem comentar.

estou "osso duro de roer", os que vivem a minha volta já não creêm tanto em mim, não que isso fosse importante, mas a pior coisa para minha auto estima agora é ter queda na credibilidade, pois estou começando a duvidar das minhas capacidades.
para você ter uma noção, estou tão por baixo que ao xavecar uma garrafa a mais de cerveja ganhei em troca uma dose de velho barreiro.
bom, pelo menos foi velho, já pensou se fosse 51?

esse meu grito sufocado diante meu orgulho é incompreensível até pra moá, mas eu estou fazendo o que eu estou sentindo que deve ser feito, pro diabo as minhas razões.

dostoiévski, o grande perturbador da consciência

"O extraordinário dele é que encara o que chamamos de neurose como algo natural na espécie humana. A neurose para ele não é o que nós chamamos de neurose. Nisso ele prenuncia Freud."

sexta-feira, maio 19, 2006

casa da mãe joana

como sempre, as coisas acontencem...

não sabia como chegar, e em uma ligação descobri o caminho. só a triste notícia que era imparcialmente cobrado dois mérreis para entrada que deu uma desanimada.
essa quantia era a única coisa que cantava no meu triste fundo monetário, então tomo um banho rápido, solto o axe pelo corpo e encaro o caminho até a casa da mãe joana.
no caminho eis que encontro dois chegados que haviam (mais cedo) me convidado para a tal balada. alego que fiquei muito surpreso e feliz com o encontro, pois logo ao chegar...
"a música está não só no corpo como no ar, vamos pegá-la"

descubro que os chegados são vips e entram sem meias palavras, e melhor ainda, sem cobrança, os dois mérreis em meu bolso me seriam de grande utilidade etílica.
ao pesquisar o preço da cerveja, observo que na mesa havia uma garrafa plástica com um líquido suavemente amarelado, logo se tratava de cachaça e, ao questionar a atendente sobre o preço de tal, ela me desperta uma euforia imensa, pois era de graça.
é caros amigos, noite feita, no samba raiz, no maracatu, no papo all night e na lezera da volta.


graças a deus, hoje é sexta